SERTÂNIA RESGATA DE VEZ SUAS CORES E REAFIRMA IDENTIDADE PÚBLICA EM NOVOS TEMPOS

Sertânia vive um momento simbólico de reconstrução de sua identidade visual e, sobretudo, institucional. Quem circula hoje pelos prédios públicos do município já percebe uma mudança que vai além da estética: o verde e branco da bandeira municipal voltaram a ocupar o lugar que lhes é de direito, marcando uma nova fase administrativa e um reposicionamento claro em relação ao passado recente.

Durante anos, o que se viu foi uma descaracterização progressiva desse patrimônio simbólico. As cores oficiais foram sendo substituídas por tons que remetiam mais a preferências partidárias do que ao interesse público. Vermelho, amarelo e, posteriormente, o cinza passaram a dominar fachadas e espaços institucionais, criando uma ruptura com a história local e com a memória coletiva das gerações mais antigas — e confundindo as mais novas, que já não reconheciam no verde e branco a identidade da “princesa do Moxotó”.

FOTO ACIMA QUANDO SERTÂNIA VIVIA SOB A ÉGIDE DO CORONELISMO INSEPULTO DA VELHA REPÚBLICA E QUE PREVALECIA A VONTADE DO ÚNICO “LÍDER”. ABAIXO O VERDE BRILHANDO E CHAMANDO A EXALTAR A BANDEIRA DO NOSSO MOXOTÓ

Esse cenário começou a ser questionado publicamente, inclusive por vozes da própria sociedade civil, como o jornalista e blogueiro Esequias Cardoso (Ver resultado do processo aqui), que provocou debate e acionamentos na Justiça sobre o uso indevido de cores associadas a grupos políticos em bens públicos. A discussão não era meramente estética: tratava-se de um princípio constitucional — o da impessoalidade na administração pública.

À época, a gestão liderada por Ângelo Ferreira, filiado ao Partido Socialista Brasileiro, foi alvo de críticas por adotar uma identidade visual que, para muitos, confundia o público com o partidário. A percepção de parte da população era de que o município caminhava para uma personalização excessiva do poder, evocando comparações históricas com posturas absolutistas — como a célebre frase atribuída a Luís XVI, “o Estado sou eu”, ainda que em contextos evidentemente distintos.

“QUE BOM QUE VOLTAMOS A VER O NOSSO VERDE. VOCÊ SABIA QUE NA CÂMARA DE VEREADORES DE SERTÂAI QUANDO O PRESIDENTE DAQUELA CASA ERA O IRMÃO DO “CHEFE MOR” PASSOU UMA LEI QUE ERA PROIBIDO USAR O VERDE? FINS DOS TEMPOS. QUE AGORA RENASCE COM UM NOVO TEMPO COM DEMOCRACIA E DIÁLOGO. VIVA SERTÂNIA E SUAS TRADIÇÕES”, DISSE UM SERTANIENSE QUE PELA SUA IDADE VIVEU TODOS OS TEMPOS. 

Hoje, o cenário é outro. A atual gestão municipal assumiu, desde o início, o compromisso de resgatar os símbolos oficiais como forma de fortalecer a identidade coletiva e respeitar os princípios da administração pública. O retorno do verde e branco não é apenas uma escolha cromática — é um gesto político no sentido mais amplo: o de devolver ao município sua própria imagem, desvinculada de projetos pessoais ou partidários.

Esse movimento também dialoga com um esforço maior de superação de práticas históricas associadas ao coronelismo, que marcaram o início da República e deixaram profundas desigualdades sociais, especialmente no interior nordestino. Ao reafirmar símbolos institucionais e priorizar o interesse público, a gestão atual sinaliza um distanciamento desse passado e uma tentativa de construir uma governança mais republicana e inclusiva.

Em Sertânia, portanto, as cores voltaram a falar — e dizem muito. Dizem sobre pertencimento, memória e respeito à coisa pública. Dizem também sobre a importância de separar o que é de todos daquilo que pertence a projetos individuais. Que esse novo momento se consolide não apenas nas paredes dos prédios, mas nas práticas administrativas e no compromisso com uma sociedade mais justa e consciente de sua própria história.

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