NOVAS TENSÕES EXPÕEM HISTÓRICO DE RUPTURAS NO PSB DE SERTÂNIA

O ambiente político em Sertânia volta a registrar sinais de desgaste interno no Partido Socialista Brasileiro local. Desta vez, o episódio mais recente envolve o vereador Marinho, que utilizou a tribuna da Câmara Municipal para externar publicamente sua insatisfação com diretrizes adotadas dentro do próprio grupo político ao qual pertence.

Sem citar nomes diretamente, o parlamentar fez referência a um modelo de condução política que, segundo ele, limitaria a autonomia de aliados e restringiria a liberdade de posicionamento — especialmente em decisões estratégicas como o apoio a candidatos em eleições estaduais. Em sua fala descreve episódios de perseguição a seu grupo vindo do seu próprio partido.

“Por apoiar o pré-candidato Romerinho” o meu grupo, o nosso grupo está sofrendo algumas perseguições do próprio grupo da gente. Vou tá sofrendo essas perseguições? Quem mais tá sofrendo essas perseguições sou eu. Não veem que eu estou sofrendo com isso”, disse Marinho em seu pronunciamento.

Em seu desabafo na Câmara, o vereador disse que não iria admitir falarem do seu grupo pelo uma escolha que eu fiz. Não foi nem a saída do grupo, que eu não saí do grupo, saí de um quarto e entrei em outro quarto, pois estou no PSB, vou continuar no PSB e as pessoas acham que eu sair do partido e eu não sair, eu continuei, só com outro pré-candidato a deputado. Só isso”, concluiu o parlamentar

O caso reacende um debate recorrente nos bastidores da política sertaniense: o grau de centralização nas decisões partidárias e seus impactos sobre a unidade do grupo.

Histórico de divergências e afastamentos

Analistas locais e observadores da cena política apontam que o episódio não é isolado, não é um caso novo. Ao longo dos anos, outros momentos de tensão já resultaram em afastamentos e rupturas dentro do grupo político liderado pelo PSB no município.

Entre os casos mais lembrados está do atual vereador Junhão Lins, quando foi vice-prefeito do então prefeito Ângelo Ferreira, este foi praticamente obrigado a romper politicamente após divergências quanto ao direcionamento de apoios eleitorais.

Outro nome frequentemente citado é o do ex-vereador Nelson Muniz (in memoriam), cuja trajetória também foi marcada por episódios de desalinhamento com a condução política predominante à época, isso sem contar em outros inúmeros nomes da política sertaniense que tiveram que sair do grupo do senhor Ângelo Ferreira porque simplesmente rejeitaram apoiar o deputado apontado por ele..

Esses episódios alimentam a percepção, entre críticos, de que há uma cultura interna pouco aberta ao contraditório. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, lideranças e aliados que adotam posições divergentes enfrentariam dificuldades de permanência ou de protagonismo dentro do grupo.

Pelo que parece, o episódio envolvendo o vereador Marinho indica que o tema está longe de ser consenso. Nos bastidores, a pergunta que circula entre lideranças e eleitores é se haverá espaço para maior pluralidade interna ou se novos desdobramentos poderão levar a outras saídas do grupo.

Cenário em aberto

Até o momento, não houve manifestação oficial das principais lideranças do partido em Sertânia sobre as declarações do vereador. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

O que se observa, no entanto, é que o episódio atual reacende discussões antigas e coloca em evidência um desafio comum a muitos grupos políticos: equilibrar unidade estratégica com diversidade de opiniões — sem que isso resulte em novas rupturas.

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