ENTRE A MEMÓRIA E O RETROCESSO — PERNAMBUCO DIANTE DE UMA ESCOLHA DECISIVA

Por Esequias Cardoso*

Volta ao centro do debate político em Pernambuco a possibilidade de retorno do Partido Socialista Brasileiro ao protagonismo estadual. E, com ela, uma pergunta inevitável: até que ponto o eleitor está disposto a revisitar um ciclo que, para muitos, deixou mais frustrações do que avanços?

Foram cerca de 16 anos de domínio político que marcaram profundamente a história recente do estado. Ainda que haja quem destaque conquistas pontuais, é impossível ignorar que, nesse mesmo período, problemas crônicos persistiram — e, em alguns casos, se intensificaram. Segurança fragilizada, desigualdades sociais evidentes, educação em frangalhos e serviços públicos aquém do esperado são lembranças ainda vivas para uma parcela significativa da população.

O que chama atenção, no entanto, é a tentativa de reconstrução de narrativa. Lideranças que integraram esse ciclo político agora se apresentam como alternativa renovada, como se o passado pudesse ser simplesmente desconsiderado. Trata-se de uma estratégia conhecida: apostar no esquecimento coletivo e na renovação do discurso, mesmo quando os protagonistas permanecem os mesmos.

Em Sertânia, sim olhando para Sertânia que é a terra onde vivemos e observamos tudo, vemos um grupinho novamente se reorganizando para tentar iludir o seu eleiorado, pregando que estes numa possível vitória deles e que todos estarão no poder.

Mas como? Como se eles só olham para si. Basta observar quem está ostentando o adesivo do suposto candidato contra Raquel. Todos aqueles que colheram por muito tempo as benesesses de ser poder em detrimento de um povo que passou por sérias dificuldades e que por muitas vezes nem migalhas receberam.

Não custa nunca lembrar que o “chefe-mor” cuidou de ajeittar os seus mais próximos, seu filho, irmão, irmã e aqueles que lhes são fiés, parentes, amigos, todos muito próximos a si, no entanto, no tocante ao povão sempre faltou tudo.

Mas democracia exige memória. O voto não pode ser guiado apenas por promessas ou pela força de campanhas bem estruturadas. Ele precisa ser, antes de tudo, um exercício de consciência histórica. Ignorar o passado é abrir espaço para repetir erros que já custaram caro à população.

Isso não significa negar o direito legítimo de qualquer grupo político disputar espaço. Pelo contrário: a pluralidade é essência do processo democrático. No entanto, cabe ao eleitor avaliar com rigor, questionar com profundidade e, sobretudo, lembrar.

Pernambuco não pode se dar ao luxo de tratar sua própria história como página em branco, com se o passado fique proibido de ser discutido. Cada escolha nas urnas carrega o peso do passado e a responsabilidade sobre o futuro. E, nesse contexto, esquecer pode não ser apenas um descuido — pode ser um retrocesso.

Que Pernambuco siga em frente!!

Esequias Cardoso Gondim é professor da rede estadual e jornalista*

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