EM RECIFE MORRE A JOVEM GRÁVIDA QUE HAVIA SIDO BALEADA NA CABEÇA NO DIA EM QUE POLICIAIS MORRERAM E OUTRAS PESSOAS TAMBÉM FORAM ASSASSINADAS

Ana Letícia, de 19 anos, estava grávida quando foi atingida por disparos e deu à luz uma menina no dia 2 de outubro. Em setembro, outras oito pessoas morreram após troca de tiros entre atirador e PMs.

Ana Letícia, a jovem de 19 anos que foi baleada na cabeça durante um tiroteio em Camaragibe, no Grande Recife, morreu neste sábado (21). Ela, que estava grávida, ficou gravemente ferida na noite de 14 de setembro, quando foi usada como “escudo humano” por Alex da Silva Barbosa, que tirou tiros com a Polícia Militar e matou dois agentes.

Após o confronto, outras seis pessoas, incluindo o suspeito e cinco parentes dele, foram assassinadas em pouco mais de 12 horas. Com isso, subiu para nove o número de vítimas na sequência de assassinatos.

A informação sobre a morte de Ana Letícia foi repassada pelos advogados da família da jovem, que morava na rua onde ocorreu o tiroteio, no bairro de Tabatinga. Ainda em coma, a vítima, que estava grávida de sete meses quando foi atingida pelos disparos, deu à luz uma menina no dia 2 de outubro.

O primo de Ana Letícia, um adolescente de 14 anos, também foi baleado na cabeça e sobreviveu. Ambos foram internados no Hospital da Restauração, no Derby, Centro do Recife. O garoto teve alta e a jovem, a pedido da família, foi transferida para o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), na área central do Recife.

Segundo o advogado Jean William, que representa a família da vítima, a jovem morreu no início da manhã deste sábado, por volta das 6h, como consequência de uma infecção, agravada pelos ferimentos na cabeça dela.

O corpo de Ana Letícia foi levado ao Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, no Centro da capital pernambucana.

Parto em coma

Ana Letícia deu à luz na madrugada de 2 de outubro, 18 dias após o tiroteio. Segundo a advogada Aline Maciel, o parto foi realizado porque o quadro de saúde dela havia piorado após apresentar complicações por causa de uma infecção.

A bebê, chamada Vitória, nasceu com 30 semanas e saudável, de acordo com a advogada. Ela segue internada, sem previsão de alta.

Relembre o caso

14 de setembro (quinta-feira):

Por volta das 21h, os PMs Eduardo Roque Barbosa de Santana, de 33 anos, e o cabo Rodolfo José da Silva, de 38 anos, foram até Tabatinga verificar uma denúncia de que um homem estava em cima de uma laje “dando tiros para cima em uma comemoração”;

Esse homem foi identificado como Alex da Silva Barbosa, de 33 anos, mas ele estava treinando tiros numa mata perto do local, segundo a família da grávida Ana Letícia, que era vizinha dele;

Alex não tinha antecedentes criminais e tinha uma arma de mira a laser que era registrada;

Quando a polícia chegou ao local para averiguar a denúncia de tiros, Alex entrou na casa da família de Ana Letícia para fugir da abordagem policial;

Ao ver os policiais se aproximando, houve uma troca de tiros entre Alex e os policiais. Dois PMs foram baleados na cabeça, e ele fugiu;

No tiroteio, também ficou ferida Ana Letícia, jovem de 19 anos que estava grávida de sete meses e perdeu parte da visão do olho esquerdo e massa encefálica;

Antes da troca de tiros, Ana Letícia estava dando banho no filho mais velho, de 3 anos, e o adolescente tinha ido buscar uma fralda para a criança. Segundo um dos advogados da família, Jean William, Alex fez Ana Letícia de escudo humano;

O primo de Ana Letícia, um adolescente de 14 anos, ajudava a colocar Ana Letícia no carro para levá-la ao hospital quando chegaram mais policiais ao local. Ele disse ter sido agredido pelas costas, derrubado e baleado na nuca por esses policiais;

O irmão de Ana Letícia, Carlos Augusto, contou que foi torturado por policiais depois que a irmã foi baleada. A família também disse que o carro que estava levando a jovem a uma unidade de saúde, foi alvo de tiros dados pela polícia na Estrada de Aldeia.

15 de setembro (sexta-feira):

Por volta das 2h, também em Tabatinga, três irmãos de Alex foram baleados por homens encapuzados: Ágata Ayanne da Silva, de 30 anos; Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25 anos;
O crime foi transmitido ao vivo no Instagram: Ágata e Amerson morreram no local; Apuynã foi levado ao Hospital da Restauração, no Recife, mas não resistiu aos ferimentos;

Algumas horas antes, Agata comentou no Instagram que a mãe foi sequestrada e que teve a casa invadida por mais de 10 homens;

Por volta das 9h, os corpos da mãe de Alex, Maria José Pereira da Silva, e de Maria Nathalia Campelo do Nascimento, 27 anos, esposa dele, foram encontrados num canavial em Paudalho, na Zona da Mata Norte de Pernambuco;

Por volta das 11h, durante buscas da Polícia Militar, Alex foi localizado em Tabatinga, trocou tiros com o efetivo e foi morto.

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