Sertânia chega aos seus 153 anos de emancipação política, celebrados oficialmente em 24 de maio, vivendo um dos momentos mais simbólicos de sua história recente. Mais do que uma data comemorativa, o aniversário do município passou a representar, para parte expressiva da população, a tentativa de encerramento de um ciclo político antigo e a abertura de uma nova fase administrativa sob o comando da prefeita Pollyanna Abreu. A programação festiva deste ano inclui atrações nacionais, como Matheus e Kauan, anunciados para as comemorações dos 153 anos da cidade.
A chegada de Pollyanna ao comando da Prefeitura não foi apenas uma alternância de poder. Foi uma ruptura política. Mulher, empresária e oriunda de uma trajetória construída fora dos velhos arranjos tradicionais, ela emergiu como uma liderança capaz de romper a lógica de grupos que, por décadas, ocuparam espaço central na política sertaniense. Em um município historicamente condicionado por estruturas familiares, disputas duras e máquinas eleitorais consolidadas, sua vitória carregou um sentido maior, o desejo de parte da população por renovação, eficiência e retomada da autoestima coletiva.
A nova gestão assumiu a Prefeitura sob o discurso de ter encontrado um município financeiramente fragilizado. Segundo levantamentos divulgados pela própria administração e repercutidos pela imprensa regional, a gestão atual afirmou ter recebido quase R$ 5 milhões em restos a pagar, incluindo mais de R$ 1 milhão referentes a salários de profissionais da saúde. Também houve relatos públicos sobre bloqueio de aproximadamente R$ 1,1 milhão das contas municipais para pagamento de precatórios associados à gestão anterior.
Esse quadro ajuda a explicar o tom adotado por Pollyanna nos primeiros meses de governo. Antes de prometer grandes vitrines, a prefeita passou a defender reorganização administrativa, transparência e recuperação da capacidade de investimento. Em balanços públicos, ela afirmou ter encontrado uma realidade de forte desequilíbrio financeiro e estrutural, sustentando que a prioridade inicial foi recolocar a máquina pública em funcionamento.
O contraste com o ciclo anterior é inevitável. A antiga gestão, comandada pelo ex-prefeito Ângelo Ferreira, passou a ser questionada não apenas no debate político local, mas também em procedimentos de controle externo. O Tribunal de Contas de Pernambuco analisou processo relacionado a auto de infração contra o ex-gestor por suposta sonegação de documentos, com aplicação de multa noticiada pela imprensa regional. O próprio ex-prefeito, segundo reportagem, apresentou defesa alegando ter esclarecido os indícios apontados e invocando dificuldades administrativas.
É nesse ponto que a disputa política deixa de ser apenas narrativa e passa a tocar no centro da administração pública: gestão, prestação de contas e responsabilidade fiscal. Sertânia não pode mais se dar ao luxo de viver refém de grupos que tratam a máquina pública como extensão de projetos pessoais. O município cobra eficiência, presença, obras, respeito ao servidor, valorização da cultura e compromisso com a zona rural.
Sob Pollyanna, a Prefeitura busca vender uma imagem de governo em movimento. A parceria com a governadora Raquel Lyra tornou-se uma das principais vitrines da atual administração. Reportagens recentes apontam um pacote de obras e ações que soma quase R$ 50 milhões em investimentos para Sertânia, com intervenções anunciadas ou planejadas em áreas como educação, esporte, infraestrutura urbana e habitação.
Essa aliança política com o Governo de Pernambuco é estratégica. Pollyanna compreendeu algo elementar na política contemporânea.
município isolado perde força; município articulado atrai recursos, obras e visibilidade. Ao se aproximar do Palácio do Campo das Princesas, a prefeita reposiciona Sertânia dentro do mapa político do Sertão do Moxotó e transforma capital político em entregas administrativas.
Na zona rural, outro eixo sensível do município, a gestão tem apostado em ações de infraestrutura, modernização e fortalecimento das comunidades. A imprensa regional tem registrado movimentações da prefeita em obras, estradas, vilas, distritos e povoados, pontos historicamente usados como termômetro da presença ou ausência do poder público.
O aniversário de Sertânia, portanto, ocorre em ambiente politicamente carregado. De um lado, a celebração da cidade, sua cultura, sua fé, seu povo e sua história. Do outro, a consolidação de uma narrativa de reconstrução.
A ideia de que Sertânia deixou para trás um modelo de poder desgastado e passou a experimentar uma administração com foco em organização, obras e articulação institucional.
A crítica ao passado, nesse contexto, não precisa de adjetivos inflamados. Os fatos políticos já são suficientemente duros. Um governo que deixa dívidas, restos a pagar, questionamentos administrativos e baixa capacidade de resposta abre espaço para que a população busque outro caminho. A vitória de Pollyanna nasceu justamente dessa fadiga social. O cansaço diante da repetição, da concentração de poder e da sensação de atraso.
A prefeita, por sua vez, tem diante de si o desafio de transformar expectativa em legado. A ruptura política já aconteceu nas urnas. Agora, a consolidação depende da entrega. Obras precisam sair do anúncio para o chão da cidade. A reorganização fiscal precisa se converter em serviços melhores. A parceria com o Governo do Estado precisa chegar ao cotidiano da população, da sede aos distritos, das escolas às estradas, da saúde à cultura.
Neste 24 de maio, Sertânia não comemora apenas mais um ano de emancipação. Comemora a possibilidade de recomeçar. E, nesse recomeço, Pollyanna Abreu se coloca como personagem central de uma virada política que redesenha o presente e disputa o futuro do município.
A cidade que por anos conviveu com práticas políticas envelhecidas agora testa uma nova rota. Se o passado deixou marcas, a atual gestão tenta responder com trabalho, presença e articulação. No fim, quem ganha não é um grupo político. Quem precisa ganhar é Sertânia.
