O Realismo em Portugal: “Uma nova visão da realidade”
1. Aporte Histórico: 2ª metade do século XIX
Para se opor ao idealismo romântico das belas paisagens, ambientes luxuosos, homens e mulheres elegantes temos agora: foco nos trabalhadores braçais com a existência sofrida, ambientes miseráveis, cortiços, favelas, luta pela sobrevivência, desigualdades sociais, exploração do homem pelo homem.
2. Contexto social
A civilização burguesa, industrial e materialista se consolidam. Os ideais do liberalismo se espalham, cresce a industrialização das cidades, desenvolvem-se as ciências naturais, o experimentalismo científico passa a ser visto como a única forma válida de explicar o mundo. O capitalismo se interessa pelo lucro imediato e não se preocupa com as condições de vida dos operários que se amontoam em casebres e cortiços sem conforto e higiene.
3. A literatura universal denuncia essa realidade:
a) Charles Dickens (1812–1870) descreve uma cidade inglesa no romance de 1854 – Tempos Difíceis. Denuncia a condição de vida dos operários da cidade de Manchester.
b) Friedrich Engels (1820–1895) Socialista alemão criticou a Era Industrial e o lucro, a exploração da pobreza dos trabalhadores.
c) Émile Zola (escritor francês, publicou “Germinal”, que virou filme em 1993.
4. Século XIX: “um caldeirão de novos conceitos!”

a) SOCIALISMO – designa as teorias de Robert Owen (1771–1858), industrial que conduziu experiências na Escócia: lucros menores para os patrões e mais benefícios aos trabalhadores; redução da jornada de trabalho e educação para todos.
Mais tarde: Karl Marx (1818–1883) e Engels publicam o Manifesto Comunista (1848). A constante luta de classes: proprietários × trabalhadores: os interesses dos proletários jamais seriam conciliados com os dos burgueses (proprietários de terras e máquinas). Esse socialismo se transformou em comunismo, que prega: “não existe propriedade privada nem classes sociais.”
Esse movimento influenciou a Geração Coimbrã – membros formados pela Universidade de Coimbra, dentre eles, o poeta e filósofo Antero de Quental.
b) DARWINISMO – teoria sobre a Evolução das Espécies, formulada pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809–1882). Afirmou que as espécies se transformam ao longo do tempo, num processo de adaptação ao MEIO AMBIENTE . “O homem é produto do meio em que vive”. Esse movimento influencia o Realismo-Naturalismo: homens e mulheres são seres biológicos, sujeitos aos instintos animais, à sexualidade, às taras, adultério, incestos, crimes…

c) POSITIVISMO – Doutrina filosófica sistematizada pelo francês Auguste Comte (1798–1857). Segundo ele, as sociedades passam por 3 estágios: Teológico – Metafísico – Positivo = a ciência.
Referências:
ANDRADE, Eugênio. Antologia pessoal da poesia portuguesa. Porto: Campo das Letras, 1999.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989.
CANDIDO, Antônio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1989.
XAVIER, Ismail. Do texto ao filme: a trama, a cena e a construção do olhar no cinema. São Paulo: Senac / Instituto Itaú Cultural, 2003.
Língua Afiada – Literatura + História + Arte.
📌 Professor Gilberto Farias para o Tribuna do Moxotó – Sertânia-PE – 03/05/2026.
• ENEM e Literatura Realista – Obras:
Madame Bovary – Gustave Flaubert
Germinal – Émile Zola
O Cortiço – Aluísio Azevedo
O Ateneu – Raul Pompeia
O Mulato – Aluísio Azevedo
Dom Casmurro – Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Quincas Borba – Machado de Assis
O Crime do Padre Amaro – Eça de Queirós
O Primo Basílio – Eça de Queirós
Os Maias – Eça de Queirós
A Carne – Júlio Ribeiro
