Primeiro CD do artista pernambucano será lançado nas plataformas digitais de streaming até o final de março.

O cantor, ator, bailarino e compositor pernambucano Ciel Santos se prepara para dar um importante passo na sua carreira. Ele está em fase final de produção do seu primeiro CD. Intitulado ‘Enraizado’, o álbum gravado de forma totalmente independente trará no repertório canções autorais compostas para o espetáculo homônimo, apresentado em agosto de 2017 em temporada no Espaço O Poste. As composições abordam temas presentes na trajetória do artista, desde sua vida no interior, as dificuldades enfrentadas pela androginia da sua voz, sua fé, os prazeres e intercâmbios artísticos.

Antes do lançamento do CD, previsto para março de 2019, Ciel apresenta uma série de singles e videoclipes que constroem os cenários de‘Enraizado’, um álbum visceral e com sonoridade que  se apoia na cultura popular. “Enraizado traz o útero de onde vim, o peito que me amamentou, a terra que me plantou, os espinhos que me feriram e os braços que me ninaram. Já cantei muita coisa nessa vida, aprendi muito. Mas foi quando olhei para dentro de mim, para minha história, que me entendi e encontrei a minha verdade. Sou um artista LGBTQ que faz cultura popular, visto minha saia, passo meu batom e vou enraizando, cantando para lembrar dos risos e cicatrizes, para falar o que acho importante e sobretudo para ser e estar onde eu quiser”, explica  o artista.

Dentro do universo de ‘Enraizado’, Ciel lançou no dia 15 de janeiro, o segundo single e clipe do álbum: ‘Terra’. A música é inspirada nos aboios do interior, de onde Ciel Santos nasceu e cresceu, e a letra é uma narrativa onde o elemento terra fala da relação do pai e da mãe do artista com o cultivo. Sobre o clipe, o artista conta com orgulho: “meus pais são os principais protagonistas, fizemos questão de tentar reproduzir o que acontecia diariamente lá em casa. A capa do single tem a letra do meu pai em uma foto antiga dele num plantio de tomate”.

Para este primeiro álbum Ciel explica que as redes sociais fizeram parte do processo de construção. O artista acredita no processo de produção coletiva. “Fizemos uma enquete nas redes sociais e os seguidores escolheram as músicas que seriam lançadas previamente. O conceito do clipe também foi feito de forma coletiva, ouvimos as sugestões do público e inserimos junto ao que já estava pré-ajustado”, conta.

O primeiro clipe de ‘Enraizado’ escolhido pelo público para ganhar as redes foi o da música ‘Corpo’, que fala sobre as repressões – socialmente construídas – ao corpo e a partir da provocação “o que te dá prazer?” sugere formas variadas de auto-estimulação.

Sobre o álbum, ‘Enraizado’  tem direção musical e arranjos de Mauricio Cezar e contará com 11 faixas, sendo 10 delas autorais, mais a regravação da música ‘Carcará’, de João do Vale e José Cândido. O CD será lançado apenas de forma virtual, seguindo a atual tendência de mercado, nas principais plataformas digitais. Segundo Ciel, o público pode esperar um disco afetivo embalado no colo da cultura popular.


SOBRE CIEL SANTOS:

Formado em Canto Erudito pelo Conservatório pernambucano de música, Ciel Santos é natural do município de Bezerros, no Agreste Pernambucano, e iniciou sua carreira na dança, aos 14 anos, no Balé Popular Papanguarte, no qual foi ator e bailarino e participou de grandes festivais de dança popular no País. Ingressou profissionalmente na música no ano de 2006, com o espetáculo “Nós e o Cabide”. Em 2009 mudou-se para o Recife, onde participou durante sete anos do grupo vocal dos Garçons Cantores do Manhattan Café Theatro. O primeiro trabalho autoral veio em 2015, com o lançamento do EP ‘Livre’, ganhando destaque no cenário musical pernambucano. Dono de um timbre raro, Ciel é contratenor, canta na tessitura feminina, do contralto ao mezzo soprano, com música influenciada pela cultura popular nordestina intercambiada com ritmos latinos, jazz e música erudita.

SINGLE ‘CORPO’

Quiromania, autoerotismo e outras práticas sensoriais, ou punheta, siririca e outras práticas sensacionais. Ciel Santos, com delicadeza e muita sutileza, traz sugestões de como tratar essa enxurrada de repressões sociais a respeito do próprio corpo. Através da erotização de objetos simples do cotidiano, escolhidos com a ajuda do público à pergunta “O que te dá prazer?”, o artista prova, verbaliza, troca, observa, descobre e estende a amplitude do pensamento, individual ou coletivo, sobre as várias formas de se auto-estimular.

Seja através da oralidade, texturas, cheiros, som ou da clássica fricção, Ciel traz à tona esse debate tão antigo e ainda tão atual que segue sendo condenado (tanto o ato quanto o debate acerca dele) nessa sociedade dominadora de esclarecimento e informação, mas dominada por amarras sociais e culturais.

SINGLE ‘TERRA’

O plantio de Seu Biu sempre foi uma gestação, uma promessa, uma esperança. Ele sempre dominou as complexidades do cultivo da terra, por isso sabia quando ela sentia sede, fome ou simplesmente queria ser contemplada. Até hoje entende o tempo só de sentir o lado que o vento sopra. Abria sulcos no braço, semeava, acompanhava o desenvolver da sementeira com olhos cuidadosos e vibrava com a beleza do plantio.

Era um triângulo amoroso: a terra, Seu Biu e Dona Tadinha. Cada enxadada que ele dava, ela dava outra, eram dois funcionários ágeis e solícitos da roça. Dona Tadinha sempre cantarolando e buscando um sorriso nas brechas que o tempo dava pra um café, uma piada e um cigarro. Trazem na pele a lapada das horas de sol, as incertezas carregadas de esperança, o sorriso repousado na consciência que sobreviveram a tudo, e que criaram quatro filhos lapidados na pobreza mas alimentados na fartura de amor.

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