O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou ontem que o governo atuará para punir com multa de R$ 9,4 milhões postos de combustíveis que não repassarem, a partir de amanhã, o desconto de R$ 0,46 centavos por litro de óleo diesel nas bombas. A redução foi uma das exigências do setor de cargas para encerrar a paralisação, que durou dez dias. Também estão previstas suspensão temporária do estabelecimento e cassação da licença de operação. Para garantir o cumprimento dos preços, o governo aposta num entendimento com federações de distribuidores e postos.
Uma portaria com as normas da fiscalização dos postos será publicada pelo Ministério da Justiça. Nas conversas com representantes de distribuidoras, o governo foi informado que os postos costumam renovar seus estoques em até 72 horas. Dessa forma, estabelecimentos que ainda têm combustível comprado com valores antigos, ainda com impostos que foram cortados nas negociações, até a tarde de hoje estarão com óleo de preço reduzido.
As distribuidoras de combustíveis convocaram para hoje uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, para discutir a redução de R$ 0,46 nos preços do óleo diesel nas bombas.
Segundo Leonardo Gadotti, presidente da Plural, entidade que reúne a BR (da Petrobras), Raízen (joint venture entre Cosan e Shell) e Ipiranga (do Grupo Ultra), disse que não há como o desconto ser integral e teme que os critérios de fiscalização anunciados pelo governo podem “provocar uma guerra” nos postos.
Nos cálculos da Plural, a redução nas bombas seria de R$ 0,41, uma vez que o governo não colocou na conta os 10% de mistura de biodiesel que são misturados ao diesel.
O argumento da entidade é que o biodiesel não teve os impostos reduzidos. Outra preocupação das distribuidoras é sobre como a fiscalização para o cumprimento da redução de preços nas bombas vai ser conduzida. “Isto pode criar uma guerra em postos de estradas, provocar um caos, sobretudo em regiões que concentram produção agrícola.”
Ontem, o representante do Ministério da Justiça, Claudemir Brito, anunciou que a portaria sobre a fiscalização nos postos sairá no Diário Oficial da União de hoje e os órgãos do governo estarão prontos para fazer a vistoria em todo o país. O preço base a ser usado é o de 21 de maio.
PEDRO PARENTE
Na berlinda desde o início da greve dos caminhoneiros, a Petrobras viu a necessidade de defender suas políticas corporativas entre seus funcionários. Em uma série de vídeos, o presidente da empresa, Pedro Parente, e executivos de várias áreas da companhia falaram sobre estratégias de formação de preço, de refino e de redução de endividamento da companhia, entre outros temas.
Os vídeos servem, de certa forma, de contraponto às alegações da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sobre as políticas da companhia. Os executivos aproveitam para pedir a “reflexão dos funcionários” sobre as greves dos caminhoneiros e dos petroleiros.
Em um dos vídeos, Parente diz que a frequência dos reajustes não é uma escolha caprichosa da diretoria. “A frequência diária dos reajustes é fundamental porque nos dá a chance de lidar melhor com nossas participações no mercado. Quando a gente faz reajustes mensais, fica exposto a perdas de participação no mercado, como se observou em 2017”, ressaltou.
Segundo a assessoria de imprensa, os vídeos fazem parte de “ações de esclarecimento” ao público interno. Os vídeos foram publicados na intranet corporativa e também enviados por celular aos funcionários. “O envio por celular atende à demanda dos próprios empregados, tanto de áreas operacionais quanto daqueles que trabalham nos escritórios”, diz em nota.
(Da Agência Estado)

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